domingo, 27 de maio de 2007

Quero ser Rubem Alves

Quando eu crescer, quero ser Rubem Alves. Será que é muito complicado?

Claro, fora todas as dificuldades físico-químicas da transmutação de uma pessoa em outra, no caso do Rubem (olha a intimidade!) há a dificuldade literária. Tudo que eu queria era saber como ele faz para escrever daquele jeito. Gostaria de pensar que ele segue algum método científico para fazê-lo, ou que mantém a fórmula de seu estilo trancada dentro de um pequeno cofre de sua residência. Mas aposto - aposto - que ele simplesmente senta e pensa e escreve, sem nenhum esforço, sem nenhuma conduta pré-concebida, sem medo nenhum.

Sim, porque como escritora, eu mesmo sou muito medrosa. Tenho o desejo megalômano de ser super assertiva, super profunda, super essencial - tudo isso numa frase só. O Rubem, não. O Rubem escreve todo corajoso, todo simples. Não consigo achar nenhuma das crônicas dele boba ou sem sentido, ou feia. Quando lemos Rubem Alves, lemos um pouco de nós mesmos como seres humanos. Se eu tivesse que fazer uma metáfora visual das crônicas dele, seria um rolo de barbante, se desenrolando sozinho no chão. Se fosse uma metáfora sonora, seria aliteração com a letra L : aquele barulhinho que flui, que rola na língua, que cai, que escorrega, que sai macio da boca e entra mais macio ainda no ouvido.

Então, quero ser Rubem Alves porque ele é macio. É um escritor fantástico, que com aquela mineirice toda é um ser humano todo universal. Rubem Alves é para todo mundo - as crônicas dele são balas de côco, e quem não gosta de bala de côco?

Ai, ai. Quero ser Rubem Alves! Já que não existe fórmula, será que é muito difícil?

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