Outro dia, um amigo me surpreendeu quando disse que eu era uma "menina para namorar". Achei muito esquisito esse tipo de classificação. Afinal, como é possível estabelecer este tipo de parâmetro entre pessoas, considerando a individualidade de cada um?
Primeiramente, essa expressão denota um conteúdo incrível de machismo. Alguns homens ainda têm a visão pré-concebida da mulher ideal para assumir compromisso (ou, "a matriz") e outra ideal para curtir ( "a filial"). Acredito "menina para namorar" deve seguir um certo padrão, que seja conveniente o bastante para que o homem se divirta por aí, confiante de que ela se mantém fiel, quieta, segura, submissa. É, meu amigo caiu um pouco no meu conceito.
Em segundo lugar, o quanto se conhece de uma pessoa para assim rotulá-la? "Essa serve para isso", "aquela serve para outra coisa"? Será que o mais superficial dos conhecimentos já serve para prever meu comportamento numa relação? Por mais tempo que passemos ao lado de alguém, não podemos dizer que a conhecemos assim tão bem. É aí que jaz toda a injustiça nos rótulos: são embasados numa mera noção inicial. Bom, meu amigo caiu um pouco mais no meu conceito...
Por fim, achei interessante colocar essa afirmação em contraste com o pensamento feminino. A maioria das meninas que conheço (eu mesma aí incluída) não pensa que exista tal classificação: "homens para namorar". Todo homem é um namorado em potencial, esperando para ser descoberto.
Quando nos sentimos atraídas por alguém (a digo "atraídas" no mais amplo dos sentidos), acreditamos que ele pode ser capaz de um relacionamento sério, duradouro, verdadeiro. Gostamos de acreditar que podemos contribuir com aquela pessoa, ajudar, cuidar, fazer melhor. Ouso dizer que cada homem com o qual uma mulher se envolve torna-se um tipo de projeto para ela. Por isso, quando realmente interessadas, custamos a desistir daquele sujeito. Porque ele não deixa de ser namorado por qualquer tipo de comportamento ou por qualquer conceito prévio.
domingo, 27 de maio de 2007
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