Quem já desistiu de alguma coisa (ou de alguém) na vida sabe o gosto amargo que isso deixa na boca. É penoso, e a maior parte do tempo você passa se convencendo de que é para o seu bem. "Eu mereço mais que isso" ou " está na hora de assumir uma postura, antes que fique tarde demais"...
A gente sofre, mas abre mão. Talvez por cansaço, talvez por maturidade, talvez por ânsia de mudanças. Mas a gente sofre: o gosto amargo fica. E, a menos que você seja muito decidido, olhará para trás, com saudades daquele docinho que antes alegrava o seu dia.
Aquela música especial, aqueles lugares marcantes... Eventualmente, tudo se dilui na memória - o açúcar vai ganhando generosas doses d'água, até que surge... O gosto acre. Será que algum dia nos acostumamos com ele?
Acho que não. Mesmo que aquele mel já não exista, lembramos dele. Quem já provou o paraíso, não se acomodará jamais no purgatório. Porque, de fato, o amargo é isso: é voltar ao limbo, ao indefinido. É fazer o retorno, parar, pensar, repensar. É ver que aquele caminho se fechou - ou bom, ou ruim - por escolha sua. E que é hora de tomar novas direções. Ah, e o gosto amargo que fica? Bem, é o pedágio que pagamos para adentrar a nova estrada...
terça-feira, 5 de junho de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário